Gratidão - Parte 2
RESUMO DA APRESENTAÇÃO ANTERIOR
Q1. Falámos anteriormente sobre a experiência da gratidão. Podemos fazer um resumo daquilo que foi dito?
Falámos da gratidão não apenas na perspectiva do agradecimento, mas indo mais atrás, tentando resgatar as experiências mais elementares e que, no fundo, são o que justificam o próprio agradecimento. Habitualmente pensamos no agradecimento sobretudo como uma norma de comportamento social, mas se recuarmos até às experiências infantis, de início nem sequer temos uma linguagem articulada para dizer um “obrigado” ou “fico agradecido”. Contudo, é nesta fase que podemos notar com maior facilidade o mecanismo que está por trás da gratidão.
Então, vimos a gratidão primeiro como uma reacção à bondade do mundo. E o que é esta bondade? De uma forma elementar, notamos que as coisas estão aí oferecidas a nós. Talvez nós, adultos, já não damos por isso, mas para uma criança pequena, o mundo inteiro de que ela tem conhecimento é como se fosse dela e é mesmo, num certo sentido. A reacção natural da criança é observar as coisas, manipulá-las, experimentá-las de várias formas e ela faz isso maravilhada. Dissémos que este envolvimento espontâneo com as coisas já é uma forma de gratidão, poderíamos lhe chamar de gratidão natural, mas nem temos uma designação precisa para isto. É esta experiência que faz com que as crianças agradeçam espontaneamente aos pais quando, por exemplo, percebem que estes proporcionaram alguma experiência agradável.
Quando a criança fica um pouco mais velha, ela é ensinada a agradecer quando recebe algum presente, coisa que ela não faz naturalmente antes de experimentar aquilo. Mais tarde, esta parte formal do agradecimento é a que fica associada à gratidão. Na verdade, há mais uma coisa que as pessoas reconhecem, que podem chamar de “gratidão genuína” ou algo assim, que é quando alguém sente-se muito grato porque uma pessoa fez algo extraordinário por ela, como salvar a vida ou ajudar a recuperar um negócio que estava falido, etc. Mas isto são coisas raras, pelo que na vida normal ninguém se sente grato, nem mesmo consegue abraçar a ideia da gratidão por meio do raciocínio.
A falta de gratidão favorece uma postura cínica, um tipo de relacionamento com os outros que apenas busca pequenas vantagens. E a falta de gratidão também faz com que encaremos o mundo como uma farsa, como um jogo viciado ou mesmo como uma coisa má. Normalmente isto não chega a ser uma cosmovisão consciente, sendo mais uma atitude existencial derivada da falta de gratidão, além de outros factores. Este negativismo torna-se numa espécie de profecia auto-realizável, já que o sujeito, por não confiar na bondade do mundo ou das pessoas, não se empenha realmente a fazer alguma coisa. O resultado é uma vida fracassada, o que parece provar que não há grande justificação para sermos gratos ao mundo ou à sociedade, o que também torna difícil ser grato à própria família.
Uma saída possível deste ciclo vicioso passa por recuperarmos, num exercício de memória, as experiências infantis onde tivemos uma intuição da bondade presente no mundo. Pode ajudar ver crianças brincando para tentar perceber como isto acontece. E temos também as versões mais adultas destas experiências, desde que vividas com alguma pureza, como a prática de artes ou a própria exploração da realidade através de alguma área do conhecimento.
Poderão perguntar se não é mais fácil simplesmente passarmos a olhar em volta e reconhecermos as coisas boas que já temos na nossa vida, sejam pessoas, meios de transporte, objectos, as belezas naturais, etc. Sim, podemos e devemos fazer isso. Mas as pessoas ouvem falar isto, fazem a experiência duas ou três vezes e esquecem. Então, é bom que tenhamos outras estratégias e também há certos factores que dificultam a gratidão e por isso temos estas entrevistas, para tentar identificar os elementos que estão em causa e dar algumas indicações práticas.
GRATIDÃO COMO UMA DAS BASES DA SOBREVIVÊNCIA
Q2. Estas experiências infantis que despoletam a gratidão ou que já são a própria gratidão, não são algo que as crianças aprendam a fazer, mas parece que são aquilo que elas já fazem espontaneamente e que permite que elas aprendam a fazer tudo o mais, ou será que afirmar isto é ir demasiado longe?
Não e, sem grande exagero, poderíamos dizer que a gratidão natural é uma das bases da sobrevivência. Contudo, pensamos em sobrevivência, propriamente falando, ligada à continuidade fisiológica e alguns dos nossos instintos têm a ver com isso. Nascemos com o instinto para respirar, para mamar, mas também para beber desde um copo. Os bebés pequenos conseguem beber a partir de um copo, mas depois perdem esse instinto e vão ter que reaprender. Depois temos os instintos ligados à dor e ao medo, que nos afastam de perigos. As habilidades de sobrevivência, que hoje estão na moda, também estão ligadas à continuidade fisiológica, embora já entre aqui um pouco a parte psicológica. Também associamos a sobrevivência a saber fazer um abrigo, fogo, arranjar comida, água potável.
Tudo o que passa disso já se considera um uso metafórico da palavra: sobrevivência política, sobreviver a uma vaga de despedimentos, sobreviver na guerra cultural, etc. É um uso analógico, por exemplo, a sobrevivência política significa que a pessoa consegue se manter com um certo nível de poder e influência num cenário desfavorável, que é análogo à sobrevivência em sentido estrito, que significa que a pessoa consegue se manter viva de uma forma relativamente estável.
Q3. A gratidão que começa como uma reacção à bondade do mundo enquadra-se mais na sobrevivência em sentido estrito ou na sobrevivência entendida em sentido metafórico?
Aparentemente, em nenhum dos sentidos, mas eu digo que é no primeiro sentido ou que está mais próxima deste. Ou seja, a gratidão seria uma mecanismo de sobrevivência. Isto pode parecer um tanto inacreditável a vários níveis. Por exemplo, tínhamos falado antes que as pessoas esquecem as experiências infantis associadas à gratidão, mas não perdem aqueles instintos mais básicos de sobrevivência. Às vezes podem estar um pouco debilitados, mas não se perdem. Não esquecemos de respirar e se alguma coisa passa perto dos nossos olhos reagimos instintivamente.
Mas será que aquele “instinto” (vamos colocar a palavra entre aspas para já) das crianças se “perderem” nas coisas e de se maravilharem com elas desapareceu mesmo? Eu digo que não, embora não se manifeste com a mesma exuberância. De alguma forma, acho que os adultos guardam uma espécie de nostalgia destas experiências, que aparecem em certos momentos, como na troca de presentes, onde parece que há uma expectativa latente de que algum dia algum presente vai nos encher de alegria infantil. Mas isto torna-se especialmente claro quando alguém se torna pai ou mãe e revive muitas coisas que fez em criança, agora já de outro ponto vista (pelo menos esperemos que seja desde outra perspectiva, embora alguns pais parecem entrar em competição com os filhos por certos “brinquedos”). Os pais voltam a acordar um pouco deste “instinto” da gratidão, agora mais na posição do observador, mas tal coisa mostra que ele ainda permanece em nós. E claro que também podem estar gratos por serem pais.
Contudo, não digo que o “instinto” da gratidão permanece em nós como uma coisa mais ou menos indiferente, como a habilidade de andar de bicicleta, que se diz que nunca se esquece, mas que, se não a exercermos, é como um objecto que fica esquecido numa gaveta. O que afirmo é que esta gratidão natural permanece em nós como um elemento activo, apesar de não repararmos nele. Ou seja, ela permanece implicitamente como um instrumento básico de acção, um pouco à semelhança das manobras elementares que usamos na condução e que não pensamos mais nelas. Mas ela não parece gratidão porque raramente se expressa na forma de um agradecimento explícito.
Q4. Mas como é que a gratidão funciona como ferramenta de acção?
O agradecimento básico que podemos fazer à realidade é agir nela ou tentar conhecê-la e, assim, já estamos a prestar homenagem à sua bondade. Este é o ponto que estabelecemos antes, o que não quer dizer que as pessoas aceitem-no, porque não depende realmente de concordar com uma afirmação, mas de aceitar fazer as experiências que permitem reconhecer isto.
A experiência da gratidão é aquilo que nos abre para o mundo. Porquê? Porque não somos como a maior parte dos animais, que têm instintos fortes e desenvolvem-se à volta deles. Os animais vão precisar de um período maior ou menor para estarem preparados para a vida adulta, dependendo da espécie, e podem extravasar alguma coisa os seus instintos, mas não muito. Por isso a descrição do comportamento dos animais é relativamente simples, para quem é treinado para isso, não para nós, e sabemos que raramente aparece um comportamento inesperado. Os cientistas até ficam entusiasmados quando descobrem um animal fazendo algo que não estava previsto, porque não é comum e porque isto leva a repensar várias coisas, mas é mais a excepção do que a regra.
Mas e em relação aos seres humanos? Não apenas a variação de comportamentos é enorme - dependendo do local, época e do historial dos costumes -, como se pode colocar quase tudo em questão e sugerir as alterações mais mirabolantes. Quantas vezes já se tentou reinventar o ser humano? E onde termina o ser humano? Há quem diga que a evolução natural do homem implica a sua fusão com máquinas. Podemos dizer que isto é loucura, mas estas especulações só aparecem porque todos pressupomos que não somos governados por uma estrutura rígida de instintos.
Somos uma espécie de marsupiais, que são umas criaturas que nascem prematuras, mas nós não temos uma bolsa onde ficamos escondidos para uma espécie de segunda gestação e somos logos atirados para o mundo. Precisamos de muitos cuidados dos nossos pais ou de alguém que cuida de nós, mas também ficamos logo expostos a muitos estímulos do mundo exterior que nos pressionam de várias formas. Para quem cuida, não se trata apenas de saber se o bebé precisa de comer ou beber, ou se está com frio ou calor, ou de trocar a fralda. Do ponto de vista do bebé, ele tem um corpo desajeitado, há coisas que ele tenta agarrar e ele tem já em operação funções mentais que não se limitam à sensibilidade e apontam para alguma busca de significado das coisas.
Não conseguimos lembrar os primeiros anos, mas ao fim de pouco tempo fica claro que o bebé já tem uma relação com as coisas diferente da que tem um animal. Há quem diga que certos animais são mais inteligentes do que crianças até uma certa idade, mas isso é apenas uma visão mecânica da inteligência, relacionada com a resolução empírica de problemas. A verdadeira inteligência humana lida com significados e autoconhecimento. Não é que o bebé já tenha domínio destas coisas, mas elas não aparecem magicamente a partir de uma certa idade. Elas começam a ser trabalhadas cedo, penso que já desde o ventre, de maneiras misteriosas para nós.
O nosso ponto aqui é que parte importante deste mistério do desenvolvimento infantil está nesta experiência da gratidão de que temos vindo a falar. As coisas prestam-se a ser manipuladas, observadas e se os humanos fizessem apenas isso, o comportamento das crianças não seria muito diferente daquele apresentado pelos animais. Contudo, neste processo a criança descobre-se a si mesma descobrindo as coisas, ou seja, é algo que funciona simultaneamente em dois sentidos, para fora e para dentro. Um animal desenvolve-se para cumprir o seu algoritmo interior, mas o ser humano desenvolve-se para descobrir a sua identidade, para questionar a sua própria vida, para questionar as coisas, mesmo aquelas que nunca viu. Um animal não faz isso. Claro que se decidimos observar as crianças desde uma perspectiva semelhante à da observação dos animais, tudo isto fica oculto. Isto pode ser uma escolha deliberada para tentar reduzir o homem a um mero animal, normalmente visando alterar a condição humana e eliminar a necessidade de Deus. Mas as próximas gerações de investigadores podem não estar a par desta cegueira metodológica e concluir de boa fé que o homem é apenas mais um animal e, tendo em conta as suas capacidades físicas, não muito afortunado por natureza.
Podemos dizer que este “instinto” de gratidão é uma espécie de alegria básica de viver, que permanece mesmo quando a pessoa está um tanto frustrada ou com medo. Isto passa facilmente despercebido, mas uma pessoa triste pode, por exemplo, estar a fazer gestos com as mãos que lhe dão alguma satisfação, ou olhar algo que lhe dá algum prazer. Tais coisas podem não ser o suficiente para afastar a tristeza, mas já mostram uma confiança básica na realidade e sugerem possibilidades, pelo que também é muitas vezes fácil sair destes estados negativos simplesmente fazendo alguma coisa. Não estamos aqui a falar de casos mais graves, claro, porque nestes há outros factores que também entram em jogo.
Podemos falar da gratidão implícita como uma espécie de alegria básica, como dissemos, ou como a intimidade básica com a realidade, que é ao mesmo tempo a intimidade com nós mesmos. Podemos ainda denominar esta gratidão natural de confiança básica em nós mesmos e nas coisas. Sem isto não fazemos nada.
A GRATIDÃO COMO INSTINTO
Q5. Mas será que faz sentido falar da gratidão como um instinto? Instinto é uma coisa inata e que nos urge, por norma, a fazer algo para evitarmos o perigo ou eventualmente para garantir a sobrevivência de alguma forma. Ou talvez possamos colocá-la na mesma categoria do chamado “instinto maternal”.
O que é um instinto? Algo inato, que funciona sem termos de reflectir e que visa a sobrevivência, a protecção ou a reprodução. De notar que a gratidão, no sentido corrente do termo, como a emoção ou sentimento de se sentir agradecido quando alguém nos dá algo ou faz algo por nós, é considerada um instinto, pelo menos para alguns investigadores, pelo que pesquisei. Dizem que estimularia a cooperação humana. Todos concordam que, em cima de uma base biológica, há uma parte cultural que se associa a isto.
Mas nós temos vindo a falar da gratidão num sentido mais elementar, como uma espécie de desejo de intimidade com a realidade e com nós mesmos, que talvez já se verifique desde o ventre materno. E também, como já vimos, é o mecanismo básico que nos leva a agir com as coisas, pelo que se pode enquadrar nos instintos de sobrevivência. A própria gratidão, no sentido comum do termo - sentir-se agradecido por ter recebido uma dádiva e expressar um agradecimento - já depende da gratidão elementar, porque para nos sentirmos agradecidos precisamos primeiro de ter agido na realidade.
O problema para muitos, se forem confrontados com estes textos, não é reconhecer que esta gratidão elementar - este impulso para a intimidade com a realidade e com nós mesmos - é um instinto, mas é reconhecer que isto sequer existe. Se isto existe, não há dúvida que é um instinto. A dificuldade em reconhecer este tipo de coisas mais elementares é que elas estão misturadas com quase tudo o que fazemos. Se pensamos na gratidão elementar como uma disposição para a acção, o que a maior parte das pessoas reconhece existir são acções concretas: andar, correr, escrever, comer, etc.
Uma das funções da filosofia é precisamente tornar visíveis, ao olho da mente, coisas que estão implícitas. É mais fácil reconhecer este tipo de coisas elementares quando alguma coisa falha. Por exemplo, vimos a questão da apatia, da desistência total, o que significa precisamente que a gratidão elementar apagou-se. Normalmente pensamos apenas em formas de resolver o problema sem reflectir sobre o que este revela, mas se pararmos um pouco e tentarmos perceber o que está em causa, percebemos que havia algo mais, que agora está em falta.
Q6. Se este instinto da gratidão é uma coisa tão básica, não podemos dizer com mais propriedade que é o próprio instinto para a vida ou instinto de vida?
O instinto de vida é algo mais abrangente: é a “tendência para a autopreservação e sobrevivência presente em todos os seres vivos”, como aparece numa consulta ao Google. O instinto da gratidão, no sentido mencionado antes, é algo específico dos seres humanos, pelo que não seria errado dizer que é o instinto de vida próprio dos seres humanos, ou seja, a tendência inata que temos para desenvolver e preservar a vida propriamente humana. Aquilo que é próprio do ser humano é o que não é compartilhado por outras espécies, ou seja, diz respeito ao autoconhecimento e ao uso da abstracção. Parece que estamos a multiplicar os termos para falar da gratidão, mas isto é necessário quando queremos identificar algo para o qual não temos ainda uma descrição e uma terminologia apropriados.
Quando pensamos na vida em termos biológicos, os instintos relacionam-se com a autopreservação, a sobrevivência, a reprodução. Mas em filosofia e especialmente em Aristóteles, também se fala na essência da vida como um processo teleológico, ou seja, orientado para um fim. A enteléquia, que é a realização dessa finalidade, significa “ter a finalidade dentro”. Uma semente já tem em si inscrita a finalidade de se tornar uma árvore, ou algum tipo de planta. Um leão pequeno e desajeitado já tem inscrito nele que será, se tudo correr bem, um leão adulto que irá aterrorizar tudo e todos e que irá liderar um grupo e que estará disposto a matar e a morrer para manter a sua finalidade.
Mas qual é a finalidade do ser humano? A resposta não é muito óbvia e não é isso que vamos abordar agora em detalhe. Contudo, entendemos que o ser humano adulto bem desenvolvido não é apenas aquele que tem um corpo atlético. Também não pode ser um sujeito que conhece muitas coisas, mas que não tem a mínima ideia de como se comportar em sociedade. A vida humana, se aceitarmos esta ideia da enteléquia, já tem inscrito nela um impulso para o desenvolvimento em várias direcções, incluindo saber o que que se está a fazer com a própria vida. Ou seja, a vida humana desenvolve-se também, se aceitarmos cumprir a finalidade inscrita nela, no sentido de se voltar para si mesma. Poderíamos dizer também que que se volta para Deus, mas não é agora nosso propósito abordar a questão no plano religioso.
Mas como podemos cumprir a finalidade de vida que temos inscrita em nós? Desenvolvendo as faculdades (memória, raciocínio, capacidade de decisão, etc.), experimentando-as na realidade. Podemos fazer isto num nível rudimentar, por imitação, com pouca autoconsciência, que é pouco mais do que uma vivência animal. O desenvolvimento propriamente humano não apenas toma a gratidão instintiva como instrumento, mas de alguma forma aprofunda-a de uma forma mais consciente. O nosso desenvolvimento não é apenas um movimento para a frente, sendo também um aprofundamento daquelas coisas que nos constituíram.
Poderíamos estruturar isto a partir de uma série de questões. O que é a memória? O que é o poder de decidir? O que é ter um eu? O que é isto de estar no mundo? O que é a gratidão? Mas não se trata de obter respostas teóricas, mas de tomar uma consciência mais aprofundada destas experiências que são a base da nossa existência naquilo que não é puramente fisiológico, mas são coisas que só se tornam realmente efectivas quando as assumimos como nossas. Estas entrevistas pretendem estimular um pouco esta tomada de posse de nós mesmos, que é, por assim dizer, uma posse espiritual, da qual não há uma testemunha exterior.
